Por Juliana
Sempre gostei de ir à escola.
Estudei em uma escola municipal no subúrbio do Rio de Janeiro um pouco fora do comum. Era uma escola comandada pela doce e séria Dona Catherine, que queria que os orgulhássemos daquele lugar. Nosso uniforme tinha que estar impecável nossos sapatos (não tênis) brilhando. E eu tinha muito orgulho! Olha eu “toda toda” aí do lado com minha saia azul de pregas, camisa branca de botões e sapatos “boneca” engraxadinhos.
Eu tive muita sorte com a minha primeira escola. Na primeira série a Tia Lygia me ensinou uma coisa que mudou minha vida: a família das letras! Com elas eu podia ler!! Foi lá, também, onde fui formalmente apresentada à Cecília Meireles, pelas mãos da minha professora da segunda série. Isso era uma viagem. Uma divertida viagem. Ainda lembro o nome da minha professora: Tia Lilian!
E não posso me esquecer da tia Sandra, que me fez prestar atenção às músicas do Roberto Carlos .Até hoje canto com mais emoção o refrão a música As Baleias (seus netos vãããão te perguntas em poucos anos, pelas baleias que cruzaaaaavam oceaaaaanoooossss…).
Mas o que eu mais me lembro com mais carinho são as festas temáticas que homenageavam ou os estados do Brasil ou algum país do mundo. Tudo era motivo para que eu, desde bem pequenina, mergulhasse naquela “viagem” que me propunham. Passava horas debruçadas sobre mapas ou enciclopédias tentando descobrir alguma coisa legal sobre aqueles lugares, que muitas vezes eu não conhecia ou não tinha nenhum vínculo.
A primeira delas foi Rio Grande do Sul. Que emoção usar aquela minha roupinha rosa de “Prenda”. Eu fiquei tão feliz que depois da festa acho que passei dias usando o meu lindo vestidinho rosa. Olha aqui embaixo, não era cute cute:
Mas de todas as festas, a que talvez, sem querer, possa ter mudado realmente a minha vida, foi a que homenageávamos o México. Por quê? Porque além de dançar (que eu nem me lembro bem como era), nós tivemos que ensaiar a canção popular mexicana Cielito Lindo.
Eu não tinha ideia da diferença que isso ia fazer na minha vida.
Subíamos felizes os três andares do colégio para ensaiar nossa música em espanhol! Um monte de crianças felizes gritando:
¡Ay! ¡ay! ¡ay! ¡ay!, ¡canta y no llores!Porque cantando se alegran,cielito lindo, los corazones.
Adorava a minha escola! Se você conseguisse ler, veria que no meu emblema, do bolso da minha camisa branca, do uniforme, estaria escrito: Escola Municipal Tasso da Silveira!
Só que hoje eu acordei com a notícia de que um ex-aluno havia invadido a escola e feito uma cena de horror naquele lugar que me é tão querido, reprise de cenas que vemos fora daqui ou em telas de cinema.
Só quero dizer que a Escola Municipal Tasso da Silveira é a minha escola também. O que aconteceu foi um horror e precisa que as autoridades (e a sociedade como um todo) tomem providências para que fatos desta natureza não se repitam.
Recusei-me a assistir aos vídeos das crianças gritando dentro do colégio que se repetem pelos noticiários. Quero guardar na minha memória a lembrança feliz dos acordes de Cielito Lindo que alegra o meu coração.
Infelizmente neste momento famílias estão destroçadas pela tristeza desta perda, pela violência deste ato. O Brasil está de luto. Meu coração também ficou machucado.
A minha escola também está chorando.
Meus sentimentos a todos os familiares.
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Querida, que lindo! Ontem quando você comentou no twitter que tinha estudado na Tasso, eu fiquei até sem palavras ( recorrência bastante rara, para mim!).
Uma homenagem muito bonita.
Oi Juliana. Estes são tempos e acontecimentos muito tristes. É realmente uma pena que os 40 anos da Escola Municipal Tasso da Silveira fiquem marcados por um acontecimento tenebroso que jamais tinha acontecido em nosso país. Acho também, que, embora tudo isso nos choque, tenho a certeza de que serão esses fatos, como os que você narra com alegria e felicidade que permanecerão. Há uma blogueira, do grupo dos blogueiros progressistas, a Maria_Frô, professora, que lembrou ontem que o que mais a choca é o fato de que a escola é lugar de vida e de alegria.
Tenho certeza que continuará a ser assim, a alegria das crianças, em pouco tempo vai curar as nossas tristezas.
Juliana, sou do Rio e também estudei em escola pública. Naquela época o bolso da blusa era bordado com as iniciais EP (escola pública). Adorava o sapato “boneca”, esse aí que você estava usando. Muitas lembranças boas.
As aulas de geografia eram completas, exatamente como você descreve. Todo ano na festa de aniversário da escola cada turma representava um estado ou país. Usávamos roupas típicas e dançávamos para os pais e alunos. Lembro bem que “fui” baiana e portuguesa.
Não somos viciados em viagem não, nos educaram assim, puro e simples.
Linda homenagem a nossa infância, viva nosso coração suburbano. Beijos.
Oi, que lindo o que vc escribeu, eu sabia de sua infância em Realengo, mas nunca vc mostro tais fotos pra a gente. Vc era toda uma gracinha, uma “muñeca” suburbana!! Juliana não fique triste, pos sua escola sera sempre a misma na sua cabeza e cada vez que vc precise vai la, faz a viagem da felicidade e da alegria. Todo mundo la, vai esperar sua visita, cheios de alegría e lindas lembranças. Beijos!!
Pena que o palco de tantas coisas boas precise também testemunhar tanto horror. Torço para que a “sua” escola consiga superar o ruim e seguir com o bom que você conta tão singelamente nesse texto emocionado.
Querida Juliana, Primero que nada nos encanto tu relato tan lindo y sentido de tu infancia escolar. Te veias realmente feliz. No tenemos dudas que esa escuela es una escuela de ninos felices y personas de bien, lo que acontecio solo es “una manzana podrida en un cajon” y que Dios se apiade de su alma, porque el repudio de nosotros los humanos es total !! Hay que rezar por las familias afectadas, por toda la comunidad herida en el alma del colegio y pedirle a Dios que les de fuerzas para continuar adelante, con mas amor y dedicacion en honor a esos inocentes ninos que ahora son martires. Rezar por sus almas y para que nunca mas se repita algo igual.
Nos quedaremos con la imagen tuya bailando feliz en honor a los ninos que ahora danzan en el paraiso.
Un beso
Juliana, qué bonitas lembranças do meu país na tua escola, mas agora estou chocada com o que aconteceu lá em Tasso da Silveira. Nao acredito e quero chorar… Isso só acontecía em EU…
Más há um Deus que tudo olha e faz justicia.
É realmente uma pena pra os pais das crianças, mas Deus está com eles…
Bjs, Juliana!
julijuli, que lindo! eu também que visito escolas em todo estado do RJ vejo coisas muito bacanas e gente que gosta de estudar como você. espero também que vença o lado do bem, eu mesma sempre penso que tendo filhos no futuro, gostaria muito que estudassem em escola pública. beijos! christine.
Juliana,
que lindo vc escreveu, gostaria que os alunos,pais e professores da escola lessem isso. A auto estima deles precisa ser trabalhada pr que esse episódio tão trágico deixe o mínimo de sequelas. Vc contibui muito expressando com carinho o que esta escola fez por vc e por centenas de outras pessoas, com certeza. Fica na paz!!
Marcia
Realmente é melhor fazer como na canção e não chorar, é melhor lembrar das coisas boas. Posso me orgulhar um pouco das viagens de criança pois afinal estou ali segurando tua mão. Vamos continuar nessa viagem ! Valeu hermanita.
Beijo de tua irmã preferida. Júlia
Obrigada Maninha!
Obrigada a todos pelo carinho de todas as mensagens recebidas no Blog, pelo twitter e pelo meu facebook!
[...] aqui para ler meu texto no meu outro Blog , o Por Todos os [...]
Amiga querida, qué hermoso homenaje a tu añorada época escolar, a tu niñez y a quienes te acompañaron en ese camino! No hay cosa más bella que valorar todas estas cosas buenas que nos ocurrieron. En medio de tan difícil momento elogio el valor que tuviste para escribir este texto en honor a ello: a tu escuela, a todos los niños y jóvenes que pasaron por ahí también y por tí misma.
Esse texto, essas fotos também fazem parte da minha vida… Mesmo estudando em outra escola a Tasso da Silveira fará sempre parte da minha infância. Afinal … quantas vezes eu fui buscar minha prima Juliana Amorim na porta da escola. Quantas vezes eu torci quando você estava jogando ou desfilando nos eventos de 7 de Setembro representando a escola? Sempre impecável e mega produzida é claro! Acho que você não saberia contar. Sem contar nos jogos pela Tasso da Silveira na UCB – era o evento mais especial que tinha. Era uma briga lá em casa para saber quem iria – se eu ou minha irmã Suzana, você lembra??? rsrsrs !! Nós tirávamos até “zerinho ou um”. Fomos tão felizes e por isso estou aqui para dizer que esse pesadelo não pode apagar o sonho. Vamos reagir e ir a luta sempre! Abraços, Simone Lima.
Primuxa!!! Que lindinha!!! Só você para lembrar dessas coisas tão fofas!!! Mesmo o assunto sendo tão sério, morri de rir só de lembrar que eu fui atleta (aos 7 anos eu jogava basquete)! Desfile de 7 de setembro com a Bandeira do BRASIL!!!!! ahhhhh isso era tremendo! Pois é, fomos todos felizes e todo esse pesadelo vai passar. As cicatrizes , podem até demorar, mas vão cobrir as feridas, ainda que deixando marcas. Infelizmente esta cobertura da imprensa está sendo CRUEL demais! Nunca vi tamanho desserviço. Como as crianças e suas famílias vão se recuperar, se não podem ligar a tv que reveeem todas as cenas do seu horrror?
Espero sinceramente que o Estado e a Prefeitura deem o apoio psicoterapêutico (fundamental) que está prometendo.
Eu já me pus a disposição da Secretária de Educação Municipal, Claudia Costin, caso haja retomada de ex-alunos a escola.
Você sabe Primuxa, eu ADOROOOOO a Tasso!!